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Aquisição de Clientes

Sua empresa vende porque tem aquisição — ou porque terceiros ainda estão trazendo clientes?

Por Shark Digital9 min de leitura

Ilustração de uma empresa no centro de uma cidade escura: à esquerda, um portal em preto e branco concentra todos os contatos num único caminho; à direita, caminhos verdes iluminados chegam de vários canais próprios, como Google, indicação, conteúdo, tráfego pago, site, redes sociais e CRM.
Neste artigo

Tem empresa que olha para o próprio histórico de vendas e conclui: “Nosso marketing funciona.”

Mas, quando você pergunta de onde vieram os clientes, a resposta é:

  • “Indicação.”
  • “Portal.”
  • “Marketplace.”
  • “Parceiro.”
  • “Rede de contatos.”

Nada disso é ruim. São fontes legítimas, muitas vezes ótimas, e várias empresas cresceram assim. O problema aparece quando quase toda a aquisição depende delas, e a empresa não tem outra forma de gerar oportunidades se uma dessas fontes diminuir.

Existe uma diferença entre receber oportunidades e ter uma estrutura própria de aquisição.

Indicação é excelente, até virar dependência

Poucos canais têm as vantagens de uma boa indicação:

  • confiança transferida: o cliente chega acreditando em quem indicou;
  • relacionamento: já existe uma história antes da primeira conversa;
  • menor resistência inicial: a negociação começa num ponto mais avançado;
  • autoridade: a recomendação funciona como prova de competência.

A limitação é outra: você não controla quando alguém vai indicar sua empresa. A indicação depende de variáveis que estão do lado de quem indica:

  • Lembrança
  • Momento
  • Relacionamento
  • Rede de contatos
  • Contexto
  • Satisfação

Um cliente satisfeito pode passar meses sem encontrar ninguém que precise do seu serviço. Isso não diz nada sobre a qualidade do seu trabalho. Diz apenas que o ritmo da indicação não é decidido pela sua empresa.

Indicação pode gerar excelentes oportunidades. Mas dificilmente deveria ser o único motor de crescimento.

O problema não é ter indicação

Ter clientes que recomendam a empresa é sinal de que o trabalho é bem feito. A questão aparece em outra pergunta:

O que acontece quando ninguém indica naquele mês?

Se a resposta é que o comercial praticamente para, a agenda esvazia e a equipe fica esperando o telefone tocar, a empresa não tem um canal de indicação. Tem uma dependência dele. Isso não é motivo para pânico. É uma informação sobre onde a aquisição precisa de estrutura.

O mesmo acontece com portais

O mercado imobiliário é o exemplo mais claro. Um portal reúne imóveis publicados por várias imobiliárias, pessoas pesquisando ativamente, ferramentas de comparação e um fluxo de contatos para quem anuncia. É uma estrutura valiosa, e faz sentido que muitas imobiliárias estejam lá.

Mas é importante entender onde a conversa acontece:

O cliente está dentro da audiência de outra empresa.

Dentro do portal, quem decide é a plataforma:

  • O ambiente
  • A distribuição dos anúncios
  • As regras
  • Os formatos
  • Os planos e preços
  • Quais concorrentes aparecem ao lado

Nenhuma dessas decisões é da sua empresa. Você pode usar bem o portal, mas joga no campo de outro, com as regras de outro e ao lado dos seus concorrentes.

A diferença entre canal próprio e canal alugado

Uma forma simples de organizar isso é separar os canais que a empresa aluga dos ativos que ela constrói e controla:

Canal alugado

Audiência e regras de terceiros

  • Portal
  • Marketplace
  • Plataforma
  • Parceiro
  • Rede social

Canal próprio

Ativos que a empresa controla

  • Site
  • SEO
  • CRM
  • Conteúdo
  • Base de contatos
  • Presença no Google
  • Landing pages
  • Dados
  • Processos comerciais

Nenhum precisa excluir o outro. O problema é possuir muitos canais alugados e quase nenhum ativo próprio. Se a sua base de contatos, seus dados e suas contas de anúncio também estão nas mãos de terceiros, vale ler sobre quem é dono das contas e dos dados de marketing.

O teste da dependência

Faça a pergunta com calma, de preferência com quem cuida do comercial:

Se amanhã seu principal canal parasse de trazer oportunidades, o que sua empresa faria?

Alguns cenários que acontecem com qualquer canal:

  • O portal aumenta o preço do plano.

  • Um parceiro encerra a relação.

  • As indicações caem por alguns meses.

  • A plataforma muda uma regra.

  • Os concorrentes aumentam o investimento no mesmo canal.

  • O algoritmo muda e o alcance diminui.

  • O marketplace perde demanda.

Dependência também limita aprendizado

Saber que o cliente “veio do portal” ou “veio por indicação” é útil, mas não responde perguntas que ajudam a gerar o próximo cliente:

  • o que ele pesquisou;
  • qual dor tinha;
  • que conteúdo viu;
  • por que escolheu sua empresa;
  • quais canais participaram da decisão;
  • quanto tempo levou;
  • qual mensagem gerou interesse.

Quando a oportunidade nasce dentro de um ambiente de terceiros, boa parte dessas respostas fica lá. A empresa vende, mas aprende pouco sobre como vendeu.

Receber oportunidades não é o mesmo que entender como criá-las.

Estar no Google também é construir presença própria

O Google mostra Perfis de Empresas na Pesquisa e no Maps. Empresas que têm contato direto com clientes, num endereço ou numa área de atendimento, podem criar e gerenciar o próprio perfil e cuidar de informações como:

  • Telefone
  • Site
  • Horário
  • Endereço ou área atendida
  • Fotos
  • Avaliações
  • Serviços

O perfil não garante posição. O próprio Google explica que os resultados locais consideram relevância, distância e destaque, e que não é possível pagar nem pedir uma classificação melhor. Algumas informações, como fotos e avaliações, também vêm de clientes. O que muda é a natureza da presença: ela é mantida pela empresa e não depende de alguém lembrar dela.

Em vez de depender apenas de alguém recomendar, a empresa começa a ser encontrada quando existe busca ativa.

Se sua empresa ainda não aparece quando alguém procura pelo seu serviço, o artigo sobre empresas que não aparecem no Google Maps mostra como o Google escolhe quem aparece e o que costuma atrapalhar.

Existe demanda que acontece fora do portal

Pense em pesquisas como estas:

  • imobiliária em Foz do Iguaçu
  • apartamento à venda em [bairro]
  • advogado trabalhista em [cidade]
  • clínica perto de mim
  • empresa de energia solar em [cidade]

Essa intenção existe fora de qualquer portal específico. A pessoa abriu o Google, não uma plataforma. Se a empresa só existe dentro do portal, essa busca é atendida por outra.

O objetivo não é abandonar o que já funciona

Uma aquisição mais resiliente costuma combinar várias frentes:

  • Indicação
  • Portal
  • Google
  • Tráfego pago
  • SEO
  • Conteúdo
  • Parcerias
  • Base própria
  • Se indicação funciona, preserve.
  • Se portal funciona, preserve.
  • Se marketplace funciona, continue avaliando.

O objetivo é reduzir concentração, não trocar o que dá resultado por uma aposta.

Quanto maior a dependência, maior o risco

Ao avaliar um canal, a maioria das empresas faz só a primeira pergunta:

Pergunta 1

Esse canal funciona?

  • Traz oportunidades?
  • As oportunidades fecham?

Pergunta 2

Quanto do meu crescimento depende dele?

  • O que sobra se ele cair?
  • Quanto tempo levaria para compensar?

Um cenário hipotético ajuda a enxergar: duas empresas fecham o mesmo número de contratos no mês. Na primeira, quase todos vieram do mesmo portal. Na segunda, vieram de indicação, Google, anúncios e clientes antigos. O resultado do mês é igual. O risco não é.

A empresa precisa construir ativos que permanecem

Campanha acaba, contrato com plataforma acaba, parceria acaba. Alguns ativos, porém, se acumulam com o tempo:

  • Marca
  • Conteúdo
  • Site
  • Páginas indexadas
  • CRM
  • Base de clientes
  • Dados
  • Avaliações
  • Presença local
  • Processos
  • Histórico
  • Inteligência comercial
Quanto mais ativos próprios a empresa constrói, menos precisa reiniciar do zero quando um fornecedor ou plataforma muda.

O Google também não deveria virar uma nova dependência única

A saída para a dependência de portal não é depender só de outro canal. Concentrar tudo em Google, Meta, SEO, anúncios ou indicação repete o mesmo problema com outro nome.

O Google também tem regras próprias. Os resultados locais são definidos pelos critérios do Google, e nenhuma empresa pode comprar ou pedir uma posição melhor no Maps. Ninguém controla o ranking, por isso ninguém deveria prometer posição.

Uma operação de aquisição parece mais com um portfólio

Cada canal cumpre uma função diferente:

Função de cada canal num portfólio de aquisição
CanalFunção principal
IndicaçãoFunção principalConfiança
PortalFunção principalDistribuição
SEOFunção principalPresença orgânica
Google MapsFunção principalDescoberta local
Tráfego pagoFunção principalDistribuição controlável
ConteúdoFunção principalAutoridade
CRMFunção principalGestão
Base própriaFunção principalRelacionamento

Como num portfólio de investimentos, nenhum item precisa carregar tudo sozinho. Quando um canal oscila, os outros seguram parte da operação.

Para o mercado imobiliário, essa questão fica ainda mais evidente

Uma imobiliária pode continuar usando portal e, ao mesmo tempo, construir uma estrutura própria em volta dele:

  1. Portal
  2. Site próprio
  3. Páginas de bairro
  4. Páginas de imóveis
  5. SEO local
  6. Google
  7. Meta Ads
  8. Google Ads
  9. Remarketing
  10. CRM
  11. Base de interessados

Quem pesquisou um bairro, visitou uma página de imóvel ou deixou contato passa a fazer parte da base da imobiliária, e não só da audiência do portal.

O portal continua sendo canal. Deixa apenas de ser a estratégia inteira.

O mesmo vale para escritórios e empresas de serviço

Fonte de oportunidades que costuma concentrar a aquisição em cada tipo de negócio
Tipo de negócioFonte que costuma concentrar
AdvocaciaFonte que costuma concentrarIndicação
ClínicasFonte que costuma concentrarMédicos parceiros
Empresas B2BFonte que costuma concentrarNetworking dos sócios
Prestadores de serviçoFonte que costuma concentrarMarketplaces

A pergunta é a mesma para todos:

Se essa fonte diminuir, existe outra máquina capaz de gerar oportunidades?

Construir aquisição própria leva tempo

Vale ser honesto sobre isso:

  • SEO leva tempo;
  • conteúdo leva tempo;
  • marca leva tempo;
  • CRM exige disciplina;
  • campanhas exigem teste;
  • processo comercial precisa amadurecer.

Por isso faz sentido começar enquanto o canal atual ainda funciona. É nesse momento que a empresa tem caixa, clientes e calma para testar.

O pior momento para começar a construir aquisição própria é quando o único canal já parou de funcionar.

Faça este diagnóstico

Pegue as oportunidades dos últimos três meses: contatos, orçamentos ou reuniões, o que a sua empresa registrar. Classifique cada uma pela origem:

  • Indicação

  • Portal

  • Google

  • Tráfego pago

  • Redes sociais

  • Parceiros

  • Site

  • Clientes antigos

  • Prospecção

  • Outros

Depois, faça a pergunta:

Se retirarmos o maior canal, o que sobra?

Esse exercício simples mostra a concentração da aquisição com dados da própria empresa. Se muitas oportunidades ficarem sem origem conhecida, isso também é um achado: a empresa ainda não registra de onde vêm seus clientes.

Na Shark, canal não deveria ser confundido com estratégia

Na Shark Digital, acreditamos que portal, indicação, Google, Meta ou qualquer outra fonte são canais. A estratégia está acima deles. Ela define:

  • onde existe demanda;
  • quais canais fazem sentido;
  • como distribuí-los;
  • como medir;
  • como capturar dados;
  • como atender;
  • como acompanhar oportunidades;
  • como reduzir dependência.

Gerar mais oportunidades só resolve parte do problema se elas não forem acompanhadas até a decisão. Sobre essa etapa, veja o que acontece depois que o lead chega.

Uma empresa não deveria precisar abandonar um canal que funciona.

Ela deveria evitar ficar refém dele.

Indicação é valiosa. Portal pode ser valioso. Mas crescimento mais resiliente exige também ativos próprios de aquisição.

Fontes consultadas