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Gestão de Marketing

Sua empresa é realmente dona do próprio marketing? O risco de perder o controle sobre contas e dados

Por Shark Digital8 min de leitura

Contas e dados de marketing protegidos por cadeado representando falta de controle sobre ativos digitais
Neste artigo

Sua empresa investe em marketing há meses. Existem campanhas rodando, públicos construídos, conversões configuradas, dados acumulados e decisões sendo tomadas a partir dessas informações. Então você decide trocar de agência. E descobre um problema: a conta não está no seu nome.

A partir daí, outras descobertas costumam aparecer:

  • o acesso administrativo pertence ao fornecedor;
  • ninguém sabe quem criou o Google Analytics;
  • o Google Tag Manager está no e-mail de um ex-funcionário;
  • o pixel foi configurado em uma estrutura externa;
  • o domínio não tem documentação;
  • o CRM tem usuários que ninguém reconhece.

Esse problema costuma permanecer invisível enquanto tudo está funcionando. Ele aparece justamente quando a empresa mais precisa ter controle.

A pergunta que poucas empresas fazem antes de contratar marketing

Na hora de contratar uma agência ou um gestor de tráfego, as perguntas mais comuns são:

  • Quanto vamos investir?
  • Quantos anúncios serão criados?
  • Qual será o CPL?
  • Quando começaremos?

Todas são legítimas. Mas falta uma:

Quem será o proprietário das contas e dos dados?

Essa resposta vai além da rotina operacional. Ela define quem decide sobre usuários, quem guarda o histórico e quem consegue continuar o trabalho se a relação mudar. Isso é governança de marketing.

Quais são os ativos digitais envolvidos

Uma operação de aquisição costuma se apoiar em várias contas, ferramentas e configurações. Cada uma guarda uma parte do trabalho já feito:

  • Google Ads
  • Meta Ads
  • Google Analytics
  • Google Tag Manager
  • Pixels
  • Eventos
  • Conversões
  • Públicos
  • Domínio
  • Hospedagem
  • CRM
  • Landing pages
  • Search Console
  • Dashboards
  • Histórico de campanhas

Nem toda empresa usa todos esses itens. O importante é saber quais existem na sua operação e em nome de quem cada um está.

A diferença entre operar uma conta e ser dono dela

Operar e possuir são papéis diferentes. Uma agência ou um gestor opera: recebe acesso, executa, analisa e otimiza. A empresa possui: mantém o controle administrativo e decide quem entra e quem sai.

Operar

Agência ou gestor

  1. Recebe acesso

  2. Executa campanhas

  3. Analisa dados

  4. Otimiza

Possuir

Empresa

  1. Mantém controle administrativo

  2. Mantém histórico

  3. Controla usuários

  4. Preserva ativos

Uma agência precisa de acesso. Isso é diferente de precisar ser proprietária de tudo.

Haverá casos em que o fornecedor precisa de acesso administrativo para configurar algo. Isso é normal. O problema aparece quando a empresa não tem controle administrativo sobre os próprios ativos.

As próprias plataformas separam esses papéis. No Google Ads, por exemplo, o nível Padrão permite editar campanhas, mas não gerenciar usuários; conceder acesso, alterar níveis e cancelar convites fica com o nível Admin. Níveis de acesso do Google Ads

Dois cenários ajudam a enxergar a diferença:

Cenário A

“Minha agência possui acesso à minha conta.”

  1. A conta é da empresa

  2. A agência recebe permissão

Resultado: Delegação

Cenário B

“Minha agência possui a conta à qual eu tenho acesso.”

  1. A conta é do fornecedor

  2. A empresa recebe permissão

Resultado: Dependência

Essa distinção é um princípio de governança operacional. Ela não é uma regra jurídica, e questões contratuais ou de propriedade de dados devem ser avaliadas com assessoria especializada.

O teste da troca de agência

Se sua agência desaparecesse amanhã, sua empresa conseguiria continuar operando?

Continuar operando não significa manter exatamente a mesma performance. Significa conseguir acessar:

  • Campanhas
  • Históricos
  • Públicos
  • Analytics
  • Conversões
  • Tag Manager
  • Domínio
  • CRM
  • Site
  • Dashboards
  • Integrações

E conseguir adicionar um novo fornecedor sem depender da autorização do antigo.

Dados também são patrimônio operacional

Cada ativo guarda uma parte da inteligência que a empresa construiu:

O que cada ativo costuma guardar
AtivoO que guarda
Conta de anúnciosO que guardaHistórico de campanhas
AnalyticsO que guardaComportamento e mensuração
CRMO que guardaJornada comercial
Tag ManagerO que guardaArquitetura de eventos e conversões
PixelsO que guardaSinais e audiências, conforme plataforma e configuração
DashboardsO que guardaInteligência acumulada

Quando uma empresa perde acesso, não perde apenas uma senha.

Pode perder continuidade.

O histórico não deveria recomeçar a cada fornecedor

Quando cada fornecedor monta a própria estrutura, cada troca recomeça o trabalho:

  1. Agência A · estrutura própria
  2. Agência B · nova estrutura
  3. Agência C · começa de novo

O resultado tende a ser:

  • contas fragmentadas;
  • históricos espalhados;
  • pixels diferentes;
  • tags duplicadas;
  • dashboards desconectados;
  • dados difíceis de comparar;
  • responsabilidades indefinidas.

O modelo mais saudável coloca a infraestrutura no centro, sob controle da empresa:

  1. 01

    Empresa

  2. 02

    Infraestrutura central

    Contas, dados, mensuração e histórico

  3. 03

    Agência A, depois B, depois C

    Cada uma recebe acesso à mesma base

Os fornecedores mudam. A infraestrutura permanece.

Cada fornecedor deveria melhorar uma estrutura que continua pertencendo à empresa.

Existe também o risco do único administrador

O problema não acontece apenas com agências. Um roteiro comum:

  1. 01

    Um funcionário cria as contas

  2. 02

    Usa o próprio e-mail

  3. 03

    Torna-se o único administrador

  4. 04

    Sai da empresa

  5. 05

    Ninguém sabe recuperar determinados acessos

A documentação do Google Tag Manager trata exatamente desse risco. Ela avisa que é possível perder o acesso à conta se o único administrador mudar e orienta planejar para que existam sempre pelo menos duas contas de administrador ativas.

A mesma página recomenda confirmar que a conta é gerenciada por alguém da própria organização, e não por uma agência externa, e configurar vários administradores com contas de usuário reais em vez de logins compartilhados. Ela também explica que, se uma conta ou um contêiner ficar sem administrador, ele é excluído automaticamente, e quem tem acesso de leitura tem 30 dias para exportá-lo. Ajuda do Gerenciador de tags

No Google Analytics, só quem tem o papel de administrador consegue adicionar ou alterar usuários, e o último administrador não pode se autoexcluir. Ajuda do Google Analytics

Como deveria funcionar uma estrutura mais madura

Cinco etapas organizam a gestão de acessos sem travar o trabalho do fornecedor:

  1. 01

    A empresa mantém o controle principal

    A organização tem contas administrativas próprias quando a plataforma permitir, de preferência contas corporativas.

  2. 02

    A agência recebe acesso

    Fornecedores recebem as permissões necessárias para executar o trabalho.

  3. 03

    As funções são separadas

    Nem todos precisam ser administradores. Cada pessoa recebe o nível de acesso adequado.

  4. 04

    Os acessos são documentados

    Usuário, plataforma, nível, responsabilidade, motivo do acesso, data e status.

  5. 05

    Existe processo de offboarding

    Quando alguém sai: revisar acessos, remover permissões, transferir responsabilidades, conferir ativos e documentar mudanças.

As plataformas oferecem níveis para isso. No Google Analytics existem os papéis Administrador, Editor, Profissional de marketing, Analista e Leitor, e apenas o Administrador gerencia usuários. Papéis do Google Analytics

No Tag Manager, as permissões de contêiner vão de Leitura até Publicação, e só a Publicação permite publicar alterações no site. Permissões do Tag Manager

Faça um inventário dos ativos de marketing

A tabela abaixo é um modelo conceitual para começar a conversa. Ela não é uma estrutura obrigatória para todas as empresas: cada operação tem seus próprios ativos e acordos.

Exemplo de inventário de ativos de marketing (modelo conceitual)
AtivoProprietárioAdmin internoAgênciaStatus
Google AdsProprietárioEmpresaAdmin interno✓Agência✓StatusOK
Meta AdsProprietárioEmpresaAdmin interno✓Agência✓StatusOK
AnalyticsProprietárioEmpresaAdmin interno✓Agência✓StatusOK
Tag ManagerProprietárioEmpresaAdmin interno✓Agência✓StatusOK
DomínioProprietárioEmpresaAdmin interno✓Agência—StatusOK
CRMProprietárioEmpresaAdmin interno✓Agência✓StatusOK
SiteProprietárioEmpresaAdmin interno✓Agência✓StatusOK

A questão não é seguir exatamente essa tabela.

A questão é: alguém na sua empresa consegue preenchê-la?

Governança também faz parte da performance

O modelo tradicional de performance olha para a camada visível:

  1. Criativos
  2. Campanhas
  3. Segmentação
  4. CPL
  5. Conversão

Abaixo dela existe outra camada, a infraestrutura:

  • Contas
  • Dados
  • Acessos
  • Mensuração
  • Histórico
  • Documentação

Campanhas podem performar bem enquanto a infraestrutura continua frágil. O problema só aparece quando algo muda: um fornecedor sai, um funcionário deixa a empresa ou alguém precisa comparar resultados de períodos diferentes.

Performance sem governança cria dependência.

Performance com governança constrói patrimônio operacional.

Para entender como medir o caminho do anúncio até a venda, veja também o guia sobre leads que não agendam.

O papel de uma agência não deveria ser criar dependência

Uma estrutura pode ficar no nome do fornecedor por motivos simples, como pressa no início do projeto ou falta de alguém interno para criar as contas. Seja qual for o motivo, o efeito para a empresa é a dependência.

Uma parceria deveria ser mantida pelo valor entregue, e não pela dificuldade operacional de substituir o fornecedor.

Uma boa relação entre empresa e agência não precisa ser sustentada pela dificuldade de sair.

Precisa ser sustentada pelo valor de permanecer.

Se você está avaliando a parceria atual, o artigo como avaliar se a agência entende seu segmento traz perguntas para levar à reunião.

Na Shark, acesso não deveria significar posse

Aquisição envolve mais do que anúncios. Existe uma infraestrutura por trás: contas, dados, mensuração, permissões, processos e histórico.

Por isso, uma operação madura precisa ser construída pensando também no que acontece daqui a um, dois ou três anos.

A agência pode mudar. O gestor pode mudar. A equipe interna pode mudar. O patrimônio digital construído pela empresa precisa continuar com ela.

A Shark organiza o trabalho em Atração, Engajamento e Venda, e o site apresenta as etapas desse método e os projetos e entregas já realizados.

Antes de investir mais em mídia, talvez exista uma pergunta mais importante:

sua empresa realmente controla aquilo que já construiu?

Fontes consultadas